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Mesmo com futebol de criança o Japão pode passar de fase.

Enquanto escrevo essa matéria o selecionado japonês deve estar treinando e se preparando para jogar contra a Dinamarca.
Os “Samurais Azuis” estão numa posição mais confortável que os dinamarqueses porque tem a vantagem do empate, o que é considerável para uma equipe que praticamente só se defende.
Passou por Camarões e me ajudou a ganhar o primeiro ponto no bolão do escritório, mas sabia que essa vitória seria ilusória o que foi confirmado no jogo seguinte contra a Holanda quando perderam por 1x0. O pior é que parecem que eles deram tudo o que podiam, gastaram todas as suas munições e saíram derrotados.

A Dinamarca é uma equipe menos talentosa que a holandesa, mas apenas duas de suas virtudes podem acabar com a alegria dos japoneses. A velocidade dos seus atacantes e as bolas altas alçadas na área.
Se os europeus souberem explorar bem essas duas armas poderão participar da segunda fase desta Copa do Mundo.
Os zagueiros centrais do Japão formados pelo brasileiro naturalizado Túlio e o veterano Nakazawa são lentos e se posicionam mal quando o cruzamento vem pelas laterais. Os laterais são pequenos (os menores do time), fisicamente franzinhos apesar da boa resistência física. São esses os setores que serão explorados pelos dinamarqueses, conforme matéria publicada nos jornais japoneses.
Outra razão para preocupação é o fraco poder ofensivo do time treinado por Okada. Não existe um goleador, um bom cabeceador, alguém com chute forte. É só correria e trombada, bem ao estilo nipônico de ser.

O jogo será a última chance para os japoneses mostrarem que evoluíram desde a criação da liga profissional em 1993, pois não se classificaram para a Copa dos Estados Unidos em 1994, participaram com três derrotas em 1998, mostraram uma pequena reação em 2002 e não venceram nenhuma em 2006. Digo última porque se a seleção for mal, acredito que isso terá reflexos no futebol de todo país, incluindo as divisões infantis, que são o futuro futebolistico da nação. Acredito que os meninos sonharão menos, terão a percepção real de que o time é fraco e incapaz de encarar os mais tradicionais.
Além do mais, ficarão se comparando a Coréia do Sul que conseguiu a classificação ao empatar com a Nigéria. Esse complexo de inferioridade poderá ficar impregnado nos mais jovens o que por esses lados é muito grave.
Os japoneses lutam muito para serem considerados a referência futebolistica da Ásia, tiveram uma pequena hegemonia entre 2001 e 2003, mas foi só. Agora, quando precisam enfrentar equipes como Bahein, são convocados com semanas de antecedência para treinarem e não dar vexames.

Espero que os hondas, nakamuras, hasebes e endos deêm um jeito contra os dinamarqueses, não só para passarem de fase, mas para plantarem um sementinha de esperança nos sonhos desses meninos.


Artigo publicado em: 25/06/2010

 
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* Tikos Greek é brasileiro, formado em Educação Física. Lembra com detalhes todas as Copas do Mundo desde 1970 e acompanha atentamente os Jogos Olímpicos desde Munique na Alemanha até os dias atuais.

Tikos Greek

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